No MADAN, a leitura também é lugar de encontro
Entre páginas, conversas e descobertas: o projeto que transformou a literatura em experiência no MADAN

Na varanda, no terraço, em rodas de conversa ou no silêncio da leitura feita em casa, uma coisa começou a acontecer no MADAN: os contos deixaram de ser apenas textos para se tornarem encontros.
Entre interpretações diferentes, reflexões inesperadas e debates que atravessam a literatura e chegam à vida, o projeto Contos e Encontros vem criando um espaço raro no ambiente escolar: aquele em que ler não é obrigação, mas convite.
Idealizado pela diretora Marina Monteiro, o projeto nasceu com a proposta de reunir estudantes do Ensino Médio e do Pré-Vestibular para ler, pensar e conversar sobre literatura sem a pressão das provas ou das avaliações tradicionais. Um conto por mês. Uma roda de conversa. Muitas possibilidades.
“Além de ser uma forma de exercitar a imaginação, a leitura nos ajuda a enxergar outras realidades, criar repertório, ampliar nossa visão de mundo e desenvolver aquela habilidade que é ouro: saber interpretar e questionar o que está ao nosso redor”, destacou Marina.
E foi exatamente isso que aconteceu desde os primeiros encontros.
Histórias que abriram conversas
A trajetória do projeto começou em julho de 2025, com Objetos Sólidos, de Virginia Woolf. Depois vieram Tempo da Camisolinha, de Mário de Andrade, e A Caçada, da escritora Lygia Fagundes Telles.
Em outubro, foi a vez de Um Homem Célebre ocupar o centro das discussões, levando os alunos a refletirem sobre fama, talento, reconhecimento e frustração humana a partir da genialidade de Machado de Assis.
Já em 2026, o projeto voltou ainda mais forte. A nova edição começou com Ana Davenga, da escritora Conceição Evaristo, abrindo espaço para discussões sobre desigualdade, identidade e relações sociais.
Depois veio Mariana, outro texto machadiano que provocou reflexões sobre amor, desigualdade e tragédia. E o projeto seguiu ampliando horizontes com Filhos de Sangue, da autora Octavia Butler, referência mundial na ficção científica e nas narrativas que desafiam estruturas tradicionais de poder e representação.
Literatura como espaço de escuta
Mais do que discutir enredos, o Contos e Encontros passou a funcionar como um espaço de escuta, troca e construção coletiva. Um ambiente em que diferentes interpretações convivem, se complementam e ajudam os estudantes a perceber que a literatura também é uma forma de compreender o mundo, e a si mesmos.
Professor de Redação e mediador do projeto, Sérgio Gomes foi responsável pela curadoria literária da edição deste ano. Segundo ele, a ideia foi construir um percurso diverso, contemporâneo e conectado às questões debatidas dentro e fora da escola.
“Em 2026, o projeto ganhou fôlego ampliado, reforçando o compromisso da escola com a formação crítica, o repertório cultural e o protagonismo dos alunos”, comentou Sérgio.
A proposta também dialoga diretamente com o pensamento do crítico literário Antonio Candido, citado como inspiração do projeto ao defender a literatura como um direito humano fundamental. No MADAN, esse direito ganhou forma em encontros acolhedores, rodas literárias, debates espontâneos e conexões que ultrapassam as páginas dos livros.
Se você também acredita que alguns encontros começam com uma simples leitura e continuam muito depois da última página, seu lugar é no MADAN. Venha fazer parte desse time!